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sábado, 21 de novembro de 2009

Metades

Publicada por bulgari


Que a força do medo que tenho não me
me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é plateia e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

7 comentários:

moi chéri disse...

é este que vou roubar!

XICA disse...

Belissimo poema! E a môça inda e sempre apaixonada!

Camolas disse...

O meu maior silêncio para estas belíssimas palavras, que tão bem se ligam nesta reflexão.
Glória à poesia e ao coração.
Abreijos pelas escolhas .

bulgari disse...

Apaixonada!!?? Xica, metida numa montanha russa de sentimentos, queres tu dizer. Quando penso que sim lá me monto num não e volta a dar mais uma voltinha. Estranha coisa esta a dos sentimentos.

Camolas, Camolas. Tu feito de silêncios? Hummmm, não me parece.

Brália disse...

porque metade de mim adorou, e a outra metade pede mais...

Hanny disse...

Querida amiga, para além de todos os poemas lindos que desencantas dos teus baús, com este acertaste na "mouche", hehehe!!!
Lindo, com significado, maravilhosamente inquietante :))))
És linda.
Bêjos
Susana

bulgari disse...

Brália quem pede mais sou eu! Trás a tua poesia há luz do dia. Já merece.

Susana!!! Saudades aos molhos...com ou sem Chaminé.