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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Pátria

Publicada por bulgari

Lyddie


Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou

Rente aos ossos com toda a exatidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão

Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas—
Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento

Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Eu minha vida daria
E vivo neste tormento

Sophia de Mello Breyner Andreson

3 comentários:

Camolas disse...

"Eu não tenho pátria tenho mátria"
(Caetano Veloso)

moi chéri disse...

Lindo, não?!
"Pela nudez das palavras deslumbradas..."
É lindo, lindo!

E Camolas, 'mátria' é uma palavra deslumbrada, nua... Linda. Elas existem, as palavras lindas, não é fácil encontrá-las e escrevê-las, fazendo-lhes justiça. Alguns conseguem... A Sophia fê-lo!

moi chéri disse...

... e o Caetano continua a oferecer-nos palavras lindas coladas a melodias únicas e soberbas...