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sábado, 17 de setembro de 2011

Tony Bennett & Amy Winehouse - Body And Soul

Publicada por bulgari

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Share with me

Publicada por bulgari



share with me
the daily bread of my loneliness
fill with your presence
the absent walls
gild
the nonexistent window
be a door
above all a door
which can be thrown
wide open

Halina Poświatowska (tradução inglesa de Maya Peretz)







quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Desencontros

Publicada por bulgari



Só quem procura sabe como há dias
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,
outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.


E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,


de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum -
- que mesmo o que se encontra não se encontra.



Jorge de Sena

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Noche

Publicada por bulgari



La noche

No consigo dormir. Tengo una mujer atravesada entre los párpados. Si pudiera, le diría que se vaya; pero tengo una mujer atravesada en la garganta.

Arránqueme, señora, las ropas y las dudas. Desnúdeme, desdúdeme.

Yo me duermo a la orilla de una mujer: yo me duermo a la orilla de un abismo.

Me desprendo del abrazo, salgo a la calle.
En el cielo, ya clareando, se dibuja, finita, la luna.
La luna tiene dos noches de edad.
Yo, una.


Eduardo Galeano, El Libro de los Abrazos

sábado, 10 de setembro de 2011

Leona Naess - Charm Attack

Publicada por bulgari

Tudo lhes doía

Publicada por bulgari





















Tudo lhe doía
de tanto que lhes queria:

a terra
e o seu muro de tristeza,

um rumor adolescente,
não de vespas
mas de tílias,

a respiração do trigo,

o fogo reunido na cintura,

um beijo aberto na sombra,

tudo lhe doía:

a frágil e doce e mansa
masculina água dos olhos,

o carmim entornado nos espelhos,

os lábios,
instrumentos da alegria,

de tanto que lhes queria:

os dulcíssimos melancólicos
magníficos animais amedrontados,

um verão difícil
em altos leitos de areia,

a haste delicada de um suspiro,

o comércio dos dedos em ruína,

a harpa inacabada
da ternura,

um pulso claramente pensativo,

lhe doía:

na véspera de ser homem,
na véspera de ser água,
o tempo ardido,

rouxinol estrangulado,

meu amor: amora branca,

o rio
inclinado
para as aves,

a nudez partilhada, os jogos matinais,
ou se preferem: nupciais,

o silêncio torrencial,

a reverência dos mastros,
no intervalo das espadas

uma criança corre
corre na colina

atrás do vento,

de tanto que lhes queria,
tudo tudo lhe doía.


Eugénio de Andrade 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tão perto

Publicada por bulgari





"Tão perto que os meus olhos se fecham

com o teu sono."

Pablo Neruda