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domingo, 15 de janeiro de 2012

Frio

Publicada por bulgari

Hisaemi


Encontrei-o no bolso do primeiro
casaco deste verão. Frio. Toquei-lhe
o corpo das letras devagar como se
fosse mão que me aguardasse. Frio.

Trouxe-o aos olhos com desejos de
lembrar-me que tarde e de que verão;
li com os lábios esse nome que talvez

me livrasse da doença, tentei escutá-lo
numa voz que me estendesse os dedos.
Frio,frio.



Maria do Rosário Pedreira,Nenhum Nome Depois 

sábado, 14 de janeiro de 2012

I Break Horses - Winter Beats (Official Video)

Publicada por bulgari

Ode para o futuro

Publicada por bulgari



Falareis de nós como de um sonho.
Crepúsculo dourado. Frases calmas.
Gestos vagarosos. Música suave.
Pensamento arguto. Subtis sorrisos.
Paisagens deslizando na distância.
Éramos livres. Falávamos, sabíamos, e amávamos serena e docemente.
Uma angústia delida, melancólica,
sobre ela sonhareis.
E as tempestades, as desordens, gritos,
violência, escárnio, confusão odienta,
primaveras morrendo ignoradas
nas encostas vizinhas, as prisões,
as mortes, o amor vendido,
as lágrimas e as lutas, o desespero da vida que nos roubam
- apenas uma angústia melancólica,
sobre a qual sonhareis a idade de oiro.

E, em segredo, saudosos, enlevados,
falareis de nós - de nós! - como de um sonho.


Jorge de Sena, in 'Pedra Filosofal'

Zero irradiante

Publicada por bulgari

Gregory Colbert



Nós que tivemos a vagarosa alegria repartida
pelo movimento, pela forma, pelo nome,
voltamos ao zero irradiante (…)

Fiama Hasse Pais Brandão in “ As Fábulas” ed. Quasi

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

The Gift - Primavera

Publicada por bulgari

domingo, 8 de janeiro de 2012

Na minha alma

Publicada por bulgari



Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!



Mário Quintana

sábado, 7 de janeiro de 2012

O desejo

Publicada por bulgari

Jonas Peterson


Não dizia palavras,
aproximava apenas um corpo interrogante,
porque ignorava que o desejo é uma pergunta
cuja resposta não existe,
uma folha cujo ramo não existe,
um mundo cujo céu não existe.
Entre os ossos a angústia abre caminho,
ergue-se pelas veias
até abrir na pele
jorros de sonho
feitos carne interrogando as nuvens.
Um contacto ao passar,
um fugidio olhar no meio das sombras,
bastam para que o corpo se abra em dois,
ávido de receber em si mesmo
outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais em desejo.
Embora seja só uma esperança,
porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.

Luis Cernuda